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Por que o Projeto Natal não vai destronar o Wii

Papai Noel já mandou avisar: Project Natal é jóinha! =)A novidade mais impactante da E3 pode até ter voltado os holofotes para a Microsoft, mas dificilmente terá força para derrotar o console da Nintendo

Se você gosta de videogames, certamente já leu e assistiu de tudo sobre a última E3, maior feira de videogames do mundo que rolou em Los Angeles, na semana passada. Ao contrário da edição de 2008 — quando o evento frustrou boa parte dos jogadores entusiastas —, neste ano foram apresentadas muitas coisas interessantes e, sobretudo, uma das novidades mais comentadas dos últimos anos no mundo gamer: o Projeto Natal, da Microsoft.

Apresentado com o sugestivo slogan “Você é o controle”, a nova aposta da empresa de Bill Gates é um avanço e tanto sobre a interface consagrada pelo Wii: trata-se de uma câmera que, além de capturar seus movimentos, reconhece ainda voz, expressões faciais, cores, objetos e supostamente muito mais coisas que ainda não foram reveladas. É, de fato, o “360” que o Xbox leva no seu nome desde o lançamento, num já longínquo novembro de 2005. A pergunta que fica é: poderá o Projeto Natal, com suas inovações que fazem o wiimote parecer algo tão ultrapassado, abalar o reinado do Wii?

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Sem suporte à alta definição, com gráficos pouco melhores em relação ao seu antecessor e com uma interface duvidosa que concentrava todo o seu apelo num joystick que mais parecia um controle remoto, o console da Nintendo era tido como carta fora do baralho quando fora lançado, um ano após o Xbox 360. Quase três anos depois, no entanto, o Wii — tachado por muitos como um “videogame da geração passada” — detém sozinho quase 50% do mercado dos consoles.

Ao brigarem entre si para conquistar o nicho mais fiel dos jogadores, os chamados hardcore gamers, Microsoft e Sony ficaram diante de um dilema: poderiam fazer jogos cada vez mais caros e tecnológicos, mas deixariam de lucrar com uma imensa parcela de pessoas que acham esses games complicados demais. Por outro lado, muita gente ficava imaginando como seria jogar alguns dos melhores jogos do Wii com os gráficos de um PS3 ou 360. A combinação desses fatores não poderia mesmo resultar em outra coisa: na E3 deste ano, tanto a Sony quanto a Microsoft apresentaram controles com jogabilidade baseada em sensores de movimento.

A primeira, numa apresentação claramente conceitual, apresentou o que eles denominaram de PlayStation Motion Controller. Combinando um controle que mais parece um vibrador erótico e a câmera do PS3, a ferramenta é capaz de apresentar uma detecção de movimentos aparentemente mais precisa que a tecnologia do Wii. Mas a falta de um nome oficial, de uma aplicação mais efetiva num game ou mesmo de um design final do periférico fazem com que a jogada da Sony permaneça apenas como uma intenção. Talvez tenhamos algo mais concreto nos próximos meses.

Já a Microsoft fez estardalhaço com o que ela considera ser a tecnologia mais revolucionária do mundo dos games até hoje. Seu Projeto Natal leva todo esse papo de sensores de movimentos a um novo patamar. Do vídeo de apresentação a la Wii que tenta vender a imagem de algo fácil e intuitivo à impressionante demonstração do garoto Milo, cria do game designer Peter Molyneux (de Populous e Fable), a intenção da empresa de mostrar um real avanço frente a tecnologia da Nintendo era evidente. Um mundo de possibilidades começava a se formar de repente. Era a chegada definitiva de uma interface mais imersiva a um visual mais aprimorado, o casamento perfeito, a revolução que todo mundo esperava. Seria o Projeto Natal um Wii-killer? Bem, se levarmos em consideração a história da indústria dos games, é muito difícil que isso aconteça.

Em primeiro lugar, tanto o Natal quanto o controle da Sony nascem como periféricos. Ao contrário do wiimote, não serão a opção padrão de controle que vem com o console. Para quem não lembra, até o Mega Drive teve o seu controle com sensor de movimentos — o famigerado Activator, em meados de 1994. Qual era o slogan promocional dele, mesmo?!… Ah, lembrei: “Você é o controle”. Que coisa, não? :P Bem, assim como este, as novas e revolucionárias opções da Sony e da Microsoft poderão naufragar simplesmente por não vir no pacote.

Outra questão que ameaça o Natal é o preço. Com uma tecnologia aparentemente tão elaborada, será que o custo final para o consumidor não acabará sendo maior do que todos imaginam? A tecnologia empregada no wiimote (assim como no próprio Wii) é muito mais barata — tanto que, se a Nintendo quisesse, ela poderia vender cada controle a um preço muito mais em conta. Considerando que o Natal pode reconhecer mais de uma pessoa ao mesmo tempo, esta é uma boa possibilidade.

Terceiro fator: a diferença Nintendo. Além da companhia de Kyoto ter concebido seu Wii com um marketing totalmente voltado à inclusão gamer, ela ainda dedicou seus designers mais talentosos para trabalhar em jogos casuais de alto nível. Não é à toa que Wii Sports, Wii Play e mais recentemente o Wii Fit – que ainda faz uso de outro periférico, a balance board – são best-sellers com dezenas de milhões de cópias vendidas. O exemplo visto com o próprio console se repete com o Natal: tecnologia não é tudo. Para emplacar sua nova empreitada, a Microsoft precisará de uma eficiente estratégia de marketing e terá que dedicar seus maiores talentos na criação de grandes jogos para a nova interface.

Quarta questão: a má fama do console. Por mais que muita gente diga que isso é coisa do passado, a verdade é que os problemas com o hardware do Xbox 360 ainda não estão completamente resolvidos. Mesmo com o papo da garantia estendida, é difícil imaginar o videogame da Microsoft funcionando direitinho daqui a cinco, seis anos. Quem comprou um Mega Drive com Activator em 1994 provavelmente consegue chutar uns traseiros no Mortal Kombat até hoje… :)

E, por fim, o fator verdade: o que vimos nas apresentações foi muito interessante, mas… definitivamente, eram apresentações. O Natal é apenas um projeto que nem possui previsão de lançamento. Será que sai ainda para este Xbox ou virá como padrão junto com a próxima versão do console? A empresa não anunciou nada concreto nestes quesitos. Mas, vá lá, vamos imaginar que a belezinha seja lançada no final do ano que vem e, de forma ainda mais impressionante, seja um grande sucesso. Será o fim do Wii? Bem, até lá, a maquininha da Nintendo estará perto dos 90 milhões de consoles vendidos. Acho muito difícil as empresas ignorarem uma base instalada tão grande como essa. Além disso, a Big N ainda tem várias cartas na manga: redução de preços, novas cores de hardware, novos Marios e Zeldas… enfim, coisinhas simples desse naipe. Virar a mesa e destronar a Nintendo da liderança, portanto, parece ser uma possibilidade muito remota para a Microsoft.

No final das contas, a E3 deste ano valeu por mostrar que, no mundo dos games, ninguém fica parado. Apesar do auê em torno do Natal, a Microsoft foi a que menos surpreendeu no que diz respeito à linha de novos games para os próximos meses. Mesmo com as indefinições acerca de seu controle, vai para a Sony o troféu de melhor linha de jogos apresentada na feira. No final das contas, pode acabar sendo isso que realmente vá fazer alguma diferença.

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Leia também: O OnLive, o Zeebo e o futuro dos videogames | Por que a Nintendo voltará ao topo

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Posted in Games, Tecnologia

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